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Vida no Ashram

Meus sinceros votos de que você e sua família estejam bem e que todos possam sair desta situação com muita saúde, harmonia, serenidade e paz. Além de superar a pandemia, acredito que devemos nos preparar e fortalecer para enfrentar os novos desafios no ambiente pós-pandemia.

Um pouco antes da pandemia ser anunciada, vivi alguns dias em um Ashram na Índia. Esta experiência tem me ajudado muito neste período de confinamento, no qual minha preocupação não se limita apenas aos cuidados para evitar o contágio ou ser agente de contágio, mas sim nos efeitos de médio e longo prazo que esta situação causará na saúde física e mental de cada pessoa e também nos impactos que causará nos relacionamentos mais próximos. Em nenhum momento da história recente, convivemos tanto tempo seguido em um espaço tão limitado.

O ashram é uma comunidade de Yoga que tem como propósito o desenvolvimento espiritual dos seus discípulos, assim como contribuir na melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas carentes que vivem naquela região. Este ashram, criado por Swami Satyananda e seus seguidores, tem sido uma fonte de desenvolvimento e inspiração para a região, fundamentando-se no respeito e valorização da mulher, na formação dos jovens e na saúde dos mais necessitados.

O ashram, ao contrário do que muita gente pensa, não é um lugar onde as pessoas ficam praticando posturas difíceis de Yoga ou sentadas em meditação o tempo todo. Na verdade, a prática do Yoga e a meditação acontece através do trabalho cotidiano, seja na limpeza dos prédios, na cozinha ou no atendimento ambulatorial às pessoas carentes.

Este verdadeiro oásis no centro de uma das regiões mais pobres da Índia é um exemplo de como, a partir de um núcleo forte e consistente, pode-se irradiar saúde, crescimento e felicidade. Todas as atividades e relacionamentos são direcionados pelos seguintes valores: servir, doar e amar.

Alguns aprendizados do ashram que podem ajudar a transformar nossas casas em oásis no meio deste ambiente de incertezas e ameaças:

Disciplina: as regras de comportamento e os horários das atividades são cumpridos com rigor.

Compaixão: olhar para cada pessoa e ver o melhor dela, entender e respeitar a sua forma de ser e sentir. Ser capaz de sentir a dor do outro e fazer o bem para ele, sem esperar por reconhecimento ou algo em troca.

Limpeza: o cuidado com a manutenção e limpeza dos ambientes é parte da rotina diária. Deixar os sapatos do lado de fora dos prédios é uma prática que vem de muito antes do Corona Vírus.

Perfeição: tudo que precisa ser feito deve ser feito com muito cuidado, sem pressa e com muita dedicação. O foco na atividade é uma forma de manter-se no presente, sem deixar-se perturbar pela mente inquieta.

Tolerância: evitar julgamentos e aceitar as pessoas como elas são, porque provavelmente elas estão dando o melhor que podem dar de si mesma. Nestes tempos de recolhimento, é importante reconhecer que os outros, assim como você, também ficam estressados e irritados com mais facilidade.

Colaboração: não basta cada um dar o seu melhor, é preciso trabalhar em conjunto visando o bem-estar da comunidade. Neste sentido, algumas vezes você tem que abrir mão da sua posição de conforto e arregaçar as mangas para ajudar aos demais.

O ashram é um lugar austero, com situações e condições que testam os seus limites. Por isso, acaba sendo um grande laboratório para o autoconhecimento, para entender como você é afetado pelo que acontece ao seu redor e como lida com isto. A consciência é o primeiro passo para o crescimento intelectual e espiritual.

Talvez este confinamento seja o período que precisamos para ampliar nosso autoconhecimento e rever nossos hábitos para estarmos prontos física, mental e espiritualmente para enfrentar os desafios de um mundo que certamente será muito diferente do qual estávamos acostumados.

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