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Mudança não é fácil para ninguém

Não desanime quando você faz um grande esforço para mudar e as pessoas ao seu redor, não reconhecendo sua mudança, continuam te tratando como antes. Elas não o fazem por maldade, mas por automatismo.

Como forma de minimizar o esforço, o cérebro cria rotinas para lidar com as situações cotidianas e com as pessoas que nos cercam. Desta forma, para cada pessoa temos nossas estratégias de atuação, elaboradas em função do comportamento do outro. Buscamos alguns sinais para identificar como a pessoa está e, imediatamente, acionamos a nossa rotina de atuação. Na maioria das vezes, nos relacionamos com o rótulo e não com o indivíduo.

A mudança de comportamento é gradual e, durante um período, agimos mesclando os novos comportamentos com os antigos. Estas pequenas recaídas são suficientes para que o outro identifique um comportamento conhecido e atue como se não tivéssemos mudado.

Para reduzir as frustrações e conflitos resultantes desta situação, abra o jogo e comunique claramente quais são os comportamentos que você está tentando mudar. Não espere que as pessoas percebam a mudança, isto levará tempo. Seja mais direto e envolva-os no seu processo de desenvolvimento, faça com que transformem-se em seus cúmplices. Peça feedback específico sobre seus novos comportamentos. Além de ajudá-lo no seu desenvolvimento, isto deixará os outros mais atentos à sua mudança.

Enquanto isso, controle sua ansiedade e reduza a expectativa de ser reconhecido no curto prazo. A certeza de estar no caminho certo deve ser medida pelo seu bem estar interior e não apenas pelas reações dos outros.

O que aprender com o caso Alan Kardec

Como você explica um time de futebol perder o seu melhor jogador para o seu principal rival? Não analisaremos esta questão aqui com a paixão futebolística, mas sim com a razão das técnicas de negociação.

Primeiro vamos entender os fatos. Alan Kardec é jogador do Benfica, contratado por empréstimo pelo Palmeiras. O contrato vence no dia 30 de maio e o Palmeiras tem a prioridade na contratação definitiva do jogador. Representantes do jogador e do clube tiveram várias rodadas de negociação e chegaram a fechar um acordo. Mesmo assim, o presidente alviverde decidiu pressionar um pouco mais para tentar reduzir o salario do jogador, prometendo compensações na forma de bônus por resultados alcançados. Não sabemos se este foi o fator decisivo, mas serviu como desculpa para que os representantes do jogador voltassem sua atenção para a proposta do São Paulo.

O maior erro palmeirense foi não considerar a balança do poder na negociação. Confortáveis por terem um contrato que lhes dava prioridade, procuraram usar o tempo como forma de pressão a seu favor, mas subestimaram as opções do atleta. Poder numa negociação é definido pela quantidade e qualidade de alternativas que cada lado tem se não chegar a um acordo com a outra parte. Neste caso, a balança pendia para os representantes do atleta, uma vez que tinham propostas sedutoras de outros times.

Outro fato que influencia na tomada de decisão durante a negociação é a credibilidade dos envolvidos. Ao voltar atrás na proposta que havia sido aceita pelas duas partes, o presidente palmeirense, além de desqualificar seus representantes, quebrou o vínculo de confiança entre os negociadores. Isso certamente abala a relação e dificulta o acordo.

Todos sabem que os empresários de atletas usam a mídia para plantar informações sobre outros clubes interessados apenas para elevar sua pedida e melhorar as condições do acordo. Talvez este seja um dos dilemas enfrentados pela direção alviverde – estão blefando ou existe mesmo a proposta? Pagaram para ver e não gostaram do que viram.

Para não cometer erros semelhantes, procure tomar alguns cuidados básicos ao negociar:

  • Tenha sempre alternativas caso sua negociação não evolua como esperado. Esta é uma forma de reduzir a pressão e poder negociar com mais tranquilidade.
  • Não subestime as alternativas do outro. Procure avaliar com clareza e objetividade o que o outro pode conseguir se não fechar o acordo com você. Avalie os pontos fortes e os fracos destas alternativas.
  • Melhore o seu sistema de informações para conhecer bem a situação na qual está atuando.
  • Assuma acordos conscientemente e não volte atrás naquilo que foi prometido.
  • Seja cuidadoso na escolha dos seus representantes e defina bem os limites da autonomia que têm para decidir em seu nome.

Não sabemos o final da história. Mas, ainda que o Palmeiras fique com o jogador, com certeza pagará muito mais caro do que poderia ter feito na semana passada e ainda terá uma relação abalada para ser restaurada.

Automatismo, descaso ou despreparo?

Fui comprar shampoo um dia desses. Ao ser atendido, pedi o shampoo que costumo usar. A atendente, muito solícita, informou que não tinha o produto em estoque e prontamente começou a apresentar outras opções. Até este momento, estava feliz com o atendimento. Foi justamente quando ela apresentou a primeira opção que comecei a desconfiar:

- Este shampoo é muito bom e dá volume para seus cabelos!

Não fiquei ofendido pelo fato de estar quase careca, mas pela falta de atenção da atendente que nem reparou neste pequeno detalhe.

Depois de ouvi-la falar sobre as outras opções, escolhi um dos produtos e fui ao caixa pagar. O gerente da loja, que estava no caixa, quis aproveitar a oportunidade para vender um pouco mais, não hesitou e falou:

- Não quer aproveitar e levar um condicionador para deixar seus cabelos mais soltos?

Como estava de bom humor, resolvi não me aborrecer e falei em tom de brincadeira:

- Você deve estar brincando se imagina que tenho problema com cabelo embaraçado!!!

Fico impressionado com a falta de atenção das pessoas. Nestas situações, fico imaginando algumas hipóteses que possam justificar tal atendimento:

  • Automatismo: as pessoas ligam o piloto automático e apresentam seu discurso de vendas como se fossem papagaios de pirata, que só sabem repetir a mesma mensagem, independente de quem está na sua frente.
  • Descaso: o foco está em desovar o estoque e bater sua meta, não em atender às necessidades dos clientes. A curiosidade por saber o que o cliente deseja é vista como perda de tempo.
  • Despreparo: falta de treinamento e orientação para prestar atenção no cliente, tanto no que ele fala quanto na forma como se comporta.

No final, acho que é um pouco de tudo isso. Infelizmente, valorizar a pessoas que estão na sua frente não é um dos comportamentos mais valorizados na nossa sociedade - e não apenas nas lojas.

Yoga!

O Yoga tem grande influência em minha vida e tem orientado meu desenvolvimento nos últimos anos. Ainda percebo que muitas pessoas têm dúvidas ou preconceitos sobre o Yoga. Por isso resolvi escrever este post.

Yoga não é religião. É uma filosofia de vida que busca a união de corpo, mente e alma, independentemente se você acredita em Ganesha (o deus com cabeça de elefante) ou em São Judas (o santo das causas perdidas).

Yoga também não é acrobacia! As posturas complexas, que são apresentadas nas academias ou na mídia, representam apenas uma pequena parte deste sistema, talvez a menos importante de todas. As posturas mais poderosas são as que permitem desenvolver conforto e quietude para o corpo e mente.

Yoga é um conjunto sistêmico de técnicas que têm por objetivo liberar as tensões para que possamos ter mais consciência da realidade e saber identificar a melhor forma de atuar.

Sofremos de três tipos de tensões que desviam nossa atenção, distorcem a realidade e dificultam nossa atuação:

  • Tensão muscular: causada pelo desequilíbrio dos sistemas nervoso e endócrino.
  • Tensão emocional: causada pela nossa dificuldade em expressar livre e abertamente nossas emoções.
  • Tensão mental: resultante do rodamoinho de nossos pensamentos, expectativas, medos e fantasias.

Liberar-se das tensões, relaxar e ter paz de espírito é o segredo da transformação. Isto pode ser obtido por meio da prática disciplinada e consistente de movimentos que ajudam a eliminar as toxinas do corpo, posturas que atuam na musculatura e no sistema endócrino, técnicas de respiração para ter maior controle sobre seu organismo e práticas de concentração para cessar o turbilhão da mente e ter foco no que está fazendo.

Yoga não é para ser usado apenas na academia ou nas práticas individuais. Utilizo estas técnicas em vários momentos do meu dia-a-dia, seja controlando minha respiração para ficar mais calmo em situações de tensão, numa reunião ou na turbulência de um voo, ou para estimular a criatividade em momentos de solução de problemas. Práticas de relaxamento e concentração antes das minhas palestras e treinamentos ajudam a fazer a transição da roda viva cotidiana para iniciar a atividade mais presente e focado.

Existem várias modalidades de Yoga. Procure a que seja melhor para você!

Técnicas de apresentação: Uma boa introdução

A primeira impressão não é a que fica, mas você terá muito mais trabalho para atrair o seu público e conquistar sua atenção se ela não for boa o suficiente. Uma boa introdução é composta por três elementos: isca, relevância e orientação.

Para despertar o interesse da plateia, você precisará de alguma isca suficientemente atraente para competir e ganhar de todas as preocupações e pensamentos que habitam a mente dos participantes de sua apresentação. Você pode usar histórias, exemplos, citações de pessoas respeitadas ou apresentar um fato surpreendente.

O bom pescador não tenta tirar o peixe da água na primeira fisgada, ele atua de forma que o anzol fique bem preso e o peixe não consiga fugir. Pense nas diversas rotas de fuga da plateia (celular, notebook, conversas paralelas, dormir, etc). Uma vez fisgado, você precisa mostrar a relevância da sua proposta - o que ela agrega na vida de seus ouvintes - e o que eles podem ganhar ao ouvi-la por inteiro.

Para lidar com a ansiedade do público, você pode dar uma visão geral de como será sua apresentação, o que você pretende com ela, que temas serão abordados e quanto tempo precisará para apresentar seus argumentos. Além de alinhar as expectativas, esta orientação ajudará no comportamento e participação do grupo.

Uma última dica: ao planejar sua apresentação, não inicie pela introdução. Deixe para construí-la após estruturar seus argumentos, treinar e sentir-se bastante confortável com a sequências deles e todo o conteúdo.

Técnicas de apresentação: Ambientação

O que acontece quando você mergulha numa piscina sem verificar a temperatura da água?

O mergulho pode ser emocionante, mas pode ser um choque térmico também. Ao entrar com cautela, você dá tempo para que seus sensores detectem a temperatura e avisem seu cérebro para que este possa comandar as alterações no seu metabolismo para reduzir os impactos da mudança de temperatura.

Iniciar uma apresentação é um choque para muitas pessoas. É impressionante ver como a simples mudança de estar sentado junto a uma mesa para ficar em pé diante do público pode provocar reações físicas e emocionais de diversas proporções. Esta reação é natural, pois saímos de uma zona de conforto e proteção para uma zona de total exposição.

Para reduzir este impacto, sugiro a mesma estratégia de sentar-se na beira da piscina, molhar os pés e os pulsos e ir entrando aos poucos para se ambientar. Ao longo da minha carreira, criei alguns rituais que me ajudam:

  • Chegar com antecedência no local da apresentação para evitar o estresse desnecessário de estar correndo contra o relógio.
  • Caminhar pela sala para conhecer o ambiente e suas armadilhas naturais.
  • Localizar os controles de iluminação e ar condicionado, pois poderão ser necessários no meio da exposição.
  • Testar o computador e demais recursos audiovisuais.
  • Rever a arrumação da sala de forma a providenciar conforto para os participantes e também para facilitar minha movimentação e exploração dos espaços.
  • Procurar um lugar privado para me concentrar e visualizar um cenário positivo.

Tudo preparado! É hora de recepcionar e estabelecer contato com as pessoas que participarão da reunião. Esta aproximação inicial ajuda a reduzir o nível de estresse e ansiedade e, além disso, cria um ambiente positivo para que, quando a apresentação iniciar, seja feita de forma natural.

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